
"Franco da Rocha é perigosa?" é uma das buscas mais frequentes sobre a cidade — e quase nunca tem uma boa resposta pública. A reputação de uma cidade no anel norte da Grande São Paulo costuma se formar por boato, não por dado.
A resposta honesta exige separar três perguntas que viram uma só: a cidade tem muito crime, tem crime grave, e — a mais importante — está melhorando ou piorando? Os dados da SSP-SP respondem cada uma de um jeito diferente.
01
HOMICÍDIO — MEDIANO, MAS SUBINDO
1.Franco da Rocha não é a mais letal do anel norte — mas é a que mais piorou.
Foram 10 homicídios dolosos em 12 meses (maio/2025 a abril/2026) — uma taxa de 6,7 por 100 mil habitantes. É um número mediano para a vizinhança: Mairiporã (7,2) está à frente, e Franco da Rocha aparece logo acima de Cajamar (6,2), bem distante de Caieiras (3,1) e Francisco Morato (2,9). O que chama atenção não é o nível, e sim a direção: no ano-calendário de 2025, a cidade registrou 12 homicídios contra 8 em 2024 — alta de 50%.
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Vale o alerta de método: nessas cidades de porte médio, o homicídio é um evento raro — entre 3 e 12 mortes por ano. Com números tão baixos, a taxa por habitante balança muito de um ano para o outro, e a diferença entre Mairiporã (7) e Franco da Rocha (10 mortes) não deve ser lida como um abismo. O sinal confiável não é a posição no ranking — é a tendência dentro da própria cidade. E essa subiu.
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Oito, oito, doze. Depois de dois anos estável, a letalidade de Franco da Rocha deu um salto em 2025. Em termos de taxa, isso leva a cidade de 5,3 por 100 mil para 8,0 por 100 mil em um único ano — perto da média do estado de São Paulo, que ronda os 7 a 8 homicídios por 100 mil habitantes. É exatamente o oposto do que aconteceu com o crime patrimonial.
02
ROUBO E FURTO — O DIA A DIA EM QUEDA
Se homicídio é o que mais assusta, roubo e furto são o que mais acontece. E aqui o dado vai na direção contrária.
2.O roubo caiu 20% desde o pico de 2024.
Os roubos subiram de 524 (2023) para 585 (2024) e então recuaram para 466 em 2025 — uma queda de 20% em relação ao pico. É a melhor notícia que o dado de Franco da Rocha conta. O furto, no entanto, segue como o crime mais frequente da cidade: foram cerca de 1.275 registros em 12 meses, quase o triplo dos roubos.
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Temos então duas trajetórias cruzadas: o crime mais comum (roubo) caindo, e o crime mais grave (homicídio) subindo. É um padrão que pede acompanhamento — não um pânico, mas também não um "está tudo melhorando". O perfil de crime da cidade, nos 12 meses mais recentes, segue o desenho de quase toda cidade-dormitório da Grande São Paulo: patrimonial no topo, violência interpessoal no meio, homicídio na cauda.
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Furto lidera com folga — mais de 1.200 casos. São celulares, veículos e furtos de rua, o crime de oportunidade. Logo atrás vem a lesão corporal dolosa, com quase 700 casos: brigas e violência doméstica, o tipo de crime que raramente vira manchete mas pesa no dia a dia. O roubo (com violência ou ameaça) aparece em terceiro, e em queda.
Veja Franco da Rocha no mapa do Crime Brasil
Filtra por tipo de crime, mês ou ano. Compara com Mairiporã, Caieiras ou qualquer cidade do anel norte.
03
ONDE O CRIME SE CONCENTRA
Quem procura "o bairro mais perigoso de Franco da Rocha" não vai achar uma resposta simples nos dados — e isso, por si só, diz algo sobre a cidade.
No volume total de ocorrências, o Centro lidera, mas sem disparar: 158 registros em 12 meses, seguido de perto por Fazenda Belém (143) e Vila Bela (138). É o padrão clássico de área comercial e dos bairros residenciais mais densos, com muito fluxo de gente e, por consequência, furto e roubo. Não há um único bairro que concentre o crime patrimonial — ele está espalhado pelo eixo central.
E a letalidade é outra história ainda. Os 10 homicídios do período não se concentram em lugar nenhum: estão espalhados pela cidade, com no máximo 2 mortes por bairro. Não existe um "bairro do tráfico" puxando a estatística — a violência letal de Franco da Rocha é difusa.
3.Volume distribuído, letalidade sem endereço fixo.
É um retrato típico de cidade-dormitório do anel metropolitano: o crime patrimonial se espalha por onde tem movimento (o eixo Centro–Fazenda Belém–Vila Bela), enquanto o homicídio se distribui pelos bairros sem um epicentro claro. Quem mora aqui convive mais com o risco de furto e roubo no cotidiano do que com a violência letal — que existe, está subindo, mas não tem endereço fixo.
Compare Franco da Rocha com Mairiporã ou Caieiras
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04
METODOLOGIA E LIMITES DO DADO
metodologia e limites
Fonte primária: SSP-SP, portal de transparência ativa (SPDadosCriminais_<ANO>.xlsx em https://www.ssp.sp.gov.br/assets/estatistica/transparencia/spDados/). Os arquivos são publicados mensalmente e contêm os boletins de ocorrência individuais com bairro. Tabela app.crimes_sp no banco analytics do Crime Brasil.
Janelas:
- Perfil de crime e taxa de homicídio: maio/2025 a abril/2026 (12 meses). É a janela mais recente fechada na base.
- Tendência anual (homicídio e roubo): anos-calendário completos de 2023, 2024 e 2025. O ano de 2022 foi excluído por ter cobertura parcial na transição entre as bases da SSP-SP.
Taxa de homicídio: número de homicídios dolosos no período dividido pela população e multiplicado por 100 mil. População exibida nas páginas de cidade do Crime Brasil (Franco da Rocha: 150.241 hab.). A taxa de 12 meses (6,7/100 mil) usa os 10 homicídios da janela maio/2025–abril/2026; a taxa de 2025 (8,0/100 mil) usa os 12 homicídios do ano-calendário.
Por que os números pequenos pedem cautela: homicídio é um evento raro nessas cidades (3 a 12 mortes por ano). Por isso a taxa por habitante oscila bastante entre anos vizinhos, e a comparação de posições no ranking do anel norte deve ser lida com cuidado — a diferença entre Mairiporã e Franco da Rocha é de três mortes. O indicador mais confiável é a tendência interna da própria cidade.
Comparação do anel norte: as taxas dos vizinhos usam a mesma janela de 12 meses e a mesma fonte. Homicídios em 12 meses: São Paulo 471, Guarulhos 66, Franco da Rocha 10, Mairiporã 7, Cajamar 6, Francisco Morato 5, Caieiras 3. As taxas por habitante são calculadas com a população de cada cidade.
Filtro de homicídio doloso: grupo HOMICÍDIO DOLOSO, excluindo homicídio culposo (acidente). Não inclui latrocínio nem tentativa de homicídio (contada à parte: 11 casos no período).
Por que não há um ranking de bairros: os boletins registram o bairro em formato livre, com abreviações e variações de grafia (JD/Jardim, VL/Vila, PQ/Parque) que fragmentam a contagem. E o homicídio é raro demais por bairro (máximo de 2 no período) para sustentar um ranking estatisticamente honesto — por isso ele é tratado em nível de cidade, não de bairro.
Limitações:
- O bairro registrado é o do local da ocorrência, não da residência da vítima. Bairros de fluxo (Centro) podem aparecer inflados.
- A SSP-SP não publica população por bairro, então não há taxa por habitante em nível de bairro.
- Uma parcela dos boletins tem bairro nulo ou "não cadastrado" e não entra em nenhuma contagem por bairro.
Perguntas frequentes
Afinal, Franco da Rocha é perigosa? Depende do que você teme e de quando olha. Em homicídio por habitante, a cidade é mediana no anel norte — abaixo de Mairiporã, acima da capital. Mas a letalidade subiu 50% em 2025, então a tendência preocupa mais que o nível. Já o roubo, o crime do dia a dia, vem caindo. Não é uma cidade de violência extrema; é uma cidade onde o patrimonial recua e o homicídio, embora raro, começou a subir.
Franco da Rocha é mais perigosa que Mairiporã? Por habitante, não. A taxa de Mairiporã (7,2/100 mil) é um pouco maior que a de Franco da Rocha (6,7/100 mil) nos 12 meses analisados. Mas a diferença é de três mortes no total — pequena demais para cravar uma como "mais perigosa" que a outra.
Qual o bairro mais perigoso de Franco da Rocha? Não há um único. No volume de ocorrências, Centro, Fazenda Belém e Vila Bela lideram, mas sem grande distância entre si. Na letalidade, não existe concentração — nenhum bairro passou de 2 homicídios em 12 meses.
Esses dados são oficiais? Sim. Vêm do portal de transparência da SSP-SP, atualizado mensalmente. O Crime Brasil ingere a planilha mês a mês e expõe os números aqui sem alteração além da normalização de nomes.
Última atualização: 21/06/2026. Próxima atualização prevista após a publicação dos dados de maio/2026 pela SSP-SP, normalmente entre o dia 25 e o último dia do mês seguinte.